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Prova & bastidores

De agência no Brasil a trabalhar em dólar: o caminho que eu fiz

por Rodrigo Kato··7 min de leitura

Alguns anos atrás, eu fazia marketing ganhando em real e achava que trabalhar pra fora era coisa de dev ou de quem morou anos nos EUA. Não sou nenhum dos dois. Hoje trabalho remoto, em inglês, com times e clientes fora do Brasil — e não foi sorte nem talento raro. Foi um caminho, e é um caminho que dá pra repetir.

Esse post é a história por trás dessa página. Escrevi ele primeiro porque, antes de qualquer tática de vaga ou de currículo, tem uma crença que precisa cair.

O erro que trava quase todo mundo

A maioria das pessoas boas de marketing e growth que eu conheço no Brasil não tenta uma vaga lá fora por causa de três mentiras que a gente conta pra si mesmo:

"Meu inglês não é bom o suficiente." Você não precisa soar como nativo. Precisa conseguir conduzir uma entrevista e uma reunião de marketing com clareza. É específico, é treinável, e é bem menos do que você imagina.

"Preciso morar fora." Não precisa. Empresas remote-first contratam gente na América Latina justamente porque é bom pra elas. Você pode ganhar em dólar morando no Brasil.

"Isso é pra dev." Tech puxou a fila, mas marketing e growth entraram forte. A diferença é que quase ninguém te ensina a se posicionar pra esse mercado.

O gargalo raramente é competência. É posicionamento e confiança no inglês — e os dois se resolvem.

O caminho, na ordem em que fez diferença

Olhando pra trás, foi mais ou menos isto — e é a mesma ordem que eu recomendaria hoje:

  1. Tratei o inglês como ferramenta de trabalho, não como prova de escola. Parei de estudar inglês "em geral" e comecei a treinar o inglês que eu ia usar: reunião, entrevista, falar de resultado. Foco no que dá medo, não no que é confortável.
  2. Reposicionei meu perfil pro que o mercado lá fora entende. Currículo, LinkedIn e a forma de contar o que eu fazia — no padrão que um recrutador de fora reconhece. Mesma experiência, outra embalagem.
  3. Fui atrás das vagas certas. Não é sair aplicando em tudo. É saber onde ficam as vagas remote-first que aceitam quem mora no Brasil, e filtrar as que só dizem "remote" no título.
  4. Tratei a entrevista como algo pra treinar, não pra improvisar. As perguntas se repetem. As histórias de resultado dá pra preparar. A pressão some quando você já ensaiou.
  5. Encarei a parte chata: contrato e dinheiro. Como a empresa te contrata (contractor, EOR), como você recebe, o básico de PJ e imposto. Nada glamouroso — mas é o que faz o dólar cair na conta sem susto.

O bastidor

No meio desse caminho eu fundei a The Watermouse, minha própria agência de Google Ads pra eCommerce na Europa. Ou seja: passei pelos dois lados — consegui trabalhar remoto e em inglês, e depois construí algo em cima disso. Cada passo da lista acima eu vivi na prática, errando bastante antes de acertar.

É exatamente por isso que essa página existe. O que pra mim demorou anos de tentativa e erro, dá pra encurtar muito quando alguém te mostra a ordem certa.

O que isso tem a ver com você

Se você já entrega bem em marketing ou growth aqui no Brasil, você provavelmente já tem a competência. O que falta é traduzir isso pro mercado lá fora e ganhar a confiança de fazer em inglês. É disso que os próximos posts vão tratar — um pedaço de cada vez.

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Falando em inglês de entrevista

Se o que mais te trava é a parte de falar, eu estou montando um treino de conversação em inglês focado só em entrevista e reunião de marketing e dados. Dá pra entrar na lista de espera separada aqui: learn-english.thewatermouse.com.

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